sexta-feira, 20 de abril de 2007

Cadeado de Ferro em Porta de Madeira


Com a maior abertura do mundo digital, a questão da segurança tornou-se primordial, pois contra invasões de sistema, vírus, rootkits, malwares, spywares, adwares e outros wares, o uso de ferramentas como antivírus, firewalls, antispywares, etc, etc, formam um verdadeiro pelotão no combate a tais práticas, mas ninguém tem atentado muito para a outra parte, o fator humano, é possível?

Bom, Kevin Mitnick, considerado um dos maiores hackers de todos os tempos, ao depor no Congresso Americano, afirmou que não importa o sistema de segurança instalado em uma empresa, o indivíduo ainda estaria desprotegido, a razão? Segundo o próprio Kevin: “Porque o fator humano é o elo mais fraco da corrente”. Isaac Asimov afirmou que o grande erro de qualquer cientista era desprezar o fator humano.

Há alguns dias ocorreu uma denúncia interessante na televisão, mais especificamente no Jornal da Record, pessoas estariam vendendo cadastros com os dados completos de empresas e pessoas direto dos bancos de dados da Receita Federal e da Junta Comercial de São Paulo, parece inacreditável que o órgão responsável pelas informações de renda de cada cidadão e que tem investido em segurança, permita que algo assim aconteça. Vendo isso com calma a idéia que se tem é que qualquer um pode ter acesso as informações sigilosas dos servidores da Receita, copiá-los em um flashdrive, fazer as cópias em CDs e vender por aí – o custo do jogo com 4 mídias, contendo as listas dos dois cadastros era de R$400,00 – e a menos que ocorra uma denúncia pelos jornais, nada é feito.

Os 11,5 milhões de contribuintes que tiveram seu sigilo fiscal quebrado correspondem ao total de pessoas físicas que devem declarar Imposto de Renda neste ano, segundo a Receita Federal. A melhor parte vêm agora, “o caso também envolve vazamento de dados sigilosos de empresas telefônicas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Nos bancos de dados de contribuintes encontrados pela polícia, a principal informação que levou os peritos a concluírem pela vulnerabilidade da Receita Federal foi a existência nos cadastros de códigos usados exclusivamente pelo Fisco, nas declarações de IR.”, ou seja, não há como a Receita negar que os dados tenham vazado de seus bancos, a grande pergunta é, quem vai pagar a conta?

Com dados como CNPJ, CGC, CPFs, informações bancárias, etc, esses cadastros são autênticas “minas de ouro” para estelionatários e golpistas, como nossa legislação de combate a crimes eletrônicos e de informação é pífia, vai sobrar para o cidadão honesto, que terá seu nome sujo no mercado e se verá as voltas com os imbróglios jurídicos para provar sua inocência. Na reportagem, uma coisa me chamou a atenção, o “vendedor” disse o seguinte: “A maioria das pessoas que compra esses cadastros, é para atividades ilegais, mas essa é a nova forma de ganhar dinheiro, com a venda de informações!”, irônico, um “Zé ninguém” já tem consciência da importância da “informação” nos tempos modernos, enquanto os órgãos que fazem uso dela, a tratam como algo da idade da pedra, aonde vamos parar.....

Fontes: http://jornal.valeparaibano.com.br/2000/04/15/neco/recey.html

A Arte de Enganar – Kevin Mitnick, Pearson Education do Brasil – 2003.