
Estagiário desvia R$ 3 milhões do INSS
A Polícia Federal prendeu um estagiário do INSS, acusado de desviar R$ 3 milhões durante dois anos.
"A Polícia Federal prendeu um estagiário do INSS, acusado de desviar R$ 3 milhões durante os dois anos em que trabalhou no órgão. No período em que foi estagiário, George Waldemiro Moreira Filho, de 18 anos, comprou seis carros de luxo, mobiliou a casa com artigos de primeira linha e adquiriu equipamentos eletrônicos caros. Moreira foi preso em São Paulo nesta segunda-feira.
A 'Operação Resgate' da Polícia Federal apreendeu tudo, depois de concluir que houve desvio de dinheiro. A Justiça ainda decretou o seqüestro dos valores depositados em contas do rapaz. Com isso, a Polícia Federal estima ter recuperado R$ 2 milhões do total desviado por Moreira.
De acordo com informações da INSS, Moreira começou a trabalhar na instituição em março de 2003, para executar atividades de nível médio. Neste ano, iniciou o curso de Direito, mantendo o vínculo com a Previdência Social. O INSS afirma que, desde o ano passado, o rapaz vinha inserindo dados falsos nos sistemas da Previdência, fazendo uso da senha de outros servidores."
A notícia acima pode parecer novidade para muitos, mas não é, no Brasil existe uma cultura de desleixo e inversão de valores em relação à segurança da informação que são impressionantes. Órgãos Brasileiros como o INSS, fontes de informações que valem "ouro" literalmente, são alvos de roubos e fraudes de forma até ridícula. A reportagem acima mostra que não importa o as técnicas de segurança da informação aplicadas, quando não é estendida até a peça principal do processo, o ser humano! Não é a primeira vez que o INSS sofre fraudes internas, devido ao uso de informações sigilosas por pessoas não autorizadas, não dá para entender porquê não se aplica um dos princípios básicos da criptografia: confidencialidade de dados. Há alguns anos, a Polícia Federal se viu em maus lençóis ao constatar que informações sigilosas estavam vazando da instituição, devido ao fato de que mais da metade dos servidores internos eram pessoas terceirizadas! Alguns devem se lembrar de uma série de ataques que ocorreu no Rio de Janeiro, ordenados pelo tráficos, mas devido a um fato curioso, estava ocorrendo uma CPI que investigava o crime organizado, as ligações de advogados e magistrados com criminosos, entre outros, uma advogada de um traficante simplesmente pagou a quantia de R$200,00 (Duzentos Reais) para um servidor terceirizado do Congresso, responsável pela área de som, que entregou um cartão de memórica que continha as gravações de todos os depoimentos e tudo o que era dito, inclusive nas sessões sigilosas, após o escândalo e a confusão, foi aberto um concurso público para ocupação de tais cargos por servidores efetivos.
O país vive uma situação interessante, muito se tem feito para modernizar as instituições, e-CPF, chaves públicas, enfim, todo o uso de tecnologia para tornar mais rápido o processamento e o acesso de informações, até com mais segurança, mas ironicamente, a aplicação de tais recursos em órgãos chave do país, parece não ocorrer, acho que o melhor exemplo é a estrutura tecnológica do INSS, que mais parece um queijo suíço, dados os freqüêntes casos de fraudes! Se tais conceitos fossem aplicados por exemplo no Congresso Nacional, com certeza, muito do que é gasto por lá não ocorreria, sejam desvios de verbas de merenda escolar, hospitais, ambulâncias, etc.
É impressionante hoje, o fato de não conseguirmos informações de nossa vida escolar junto ao MEC, da nossa situação de contribuinte no INSS, do uso dos "cartórios digitais", que seriam um verdadeiro avanço no país, pondo fim a uma grande burocracia e aumento a segurança contra diversos tipos de fraudes. Se "em terra de cego, que tem um olho é rei", então estamos encrencados, pois que tem "olho", está fazendo questão que todos os demais permaneçam cegos.
Um comentário:
Muito legal seu blog, Kelsen. Gostei do conteúdo. Vou passar a acessar sempre. Danie Santos.
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